segunda-feira, 21 de maio de 2018

Zé Ramalho faz show em João Pessoa em comemoração de seus 40 anos de carreira



O cantor Zé Ramalho retorna a João Pessoa, neste sábado (26) para comemorar seus 40 anos de sucesso. Em única apresentação, o show acontece no Teatro Pedra do Reino, às 21h, os ingressos estão sendo vendidos na loja Hering (Manaíra Shopping) das 14h às 20h ou pelo site Tudus.com ao preço de Plateia A: R$ 200 (inteira) | R$ 100 (meia) - Plateia B: R$ 160 (inteira) | R$ 80 (meia) - Balcão: R$ 140 (inteira) | R$ 70 (meia).

Sobre Show 
Neste show, o cantor revisita alguns de seus maiores êxitos como Avohai, Frevo Mulher, Admirável Gado Novo, Chão de Giz, Beira-Mar, Eternas Ondas, Garoto de Aluguel, Vila do Sossego e Banquete de Signos. Além de releituras de Raul Seixas (Trem das Sete e Medo da Chuva) e o grande sucesso Sinônimo, que está na trilha sonora da novela Além do Tempo da Rede Globo. Seja qual for a jornada, o público sabe que quem a conduz é um dos artistas com a personalidade mais marcante da música popular brasileira. 

Sobre o artista 
Com sua voz inconfundível e sua poesia apocalíptica, Zé Ramalho escreveu, escreve e continuará escrevendo seu nome na história musical brasileira, seguindo feito um viajante pelas estradas do país, arrastando multidões por onde quer que passe. Há mais de 40 anos, o brasileiro sabe que assistir Zé Ramalho ao vivo é uma experiência única em uma espécie de pacto de fidelidade que se renova ano a ano. Maiores informações: (83) 99616-7636.

Fonte: www.clickpb.com.br

Nesta terça (22) será a apresentação do espetáculo infanto-juvenil "O Pequeno Príncipe Preto", no Sesc Centro em Campina Grande


O ator Júnior Dantas, apresentará nesta terça (22), o espetáculo infanto-juvenil "O Pequeno Príncipe Preto", no Sesc Centro, em duas sessões: às 10h e 16h, com entrada franca. 
Com texto e direção de Rodrigo França, a peça traz aos palcos um personagem negro, como condutor da narrativa, para auxiliar a quebra de paradigma e contribuir na reflexão acerca da hierarquia da cultura afro.

“O Pequeno Príncipe Preto” conta a história de um Príncipe que percorre vários planetas com a missão de plantar as sementes da empatia, amor, respeito, coletividade, generosidade e aprendizado familiar. Com diferentes linguagens, o infantil exalta a valorização da cultura negra e retrata o quanto é bonita a diversidade de cada povo.

Com texto e direção do diretor e ator Rodrigo França, especialista em filosofia para crianças e pesquisas relacionadas à cultura negra, o solo tem performance de Junior Dantas, que integra há 9 anos a Cia. OmondÉ, iluminação de Ana Luzia Mollinari de Simoni e João Gioia, cenário de Mina Quental. As músicas originais foram compostas pelo musicista João Vinícius Barbosa, que também assina a direção musical e arranjos.

Junior Dantas, cursou a faculdade e jornalismo em Campina Grande e participou de companhias de teatro na cidade antes de ir morar no Rio de Janeiro.

SINOPSE:
"O Pequeno Príncipe Preto" discute o empoderamento e a autoestima de crianças e adolescentes negros que não se vêem representados na maioria dos livros, bonecas e bonecos que lhes são oferecidos. Permeado por canções e brincadeiras, o espetáculo semeia o entendimento sobre a importância da valorização de questões como: diversidade, cultura, amor, generosidade, empatia e respeito, além de ressaltar a influência do aprendizado familiar para que as crianças cresçam fortalecidas.

Classificação: Livre 

Duração: 45 minutos

Por Fabrício Santana

Mais do que música, Virada revela agravamento do drama dos sem-teto

(Foto: Reprodução)
As crianças do prédio de vidro pareciam não entender bem porque seus pais também não sorriam. Afinal, em 17 dias desde que seus apartamentos viraram pó no incêndio do Edifício Wilton Paes de Almeida, ao lado da praça em que vivem com suas famílias em barracas de plástico, aquela parecia ser a noite dos sonhos. Havia gente feliz passando ao lado dos gradis, música de três palcos se encontrando no ar, policiais militares para protegê-las de ladrões de cobertores e mais de 200 banheiros químicos na vizinhança - bem além dos dois que dividem com mais de cem adultos. Enquanto Caetano Veloso subia no trio elétrico Tarado Ni Você para descer a Rua da Consolação, elas saíam do acampamento para brincar no parque de diversões montado do Vale do Anhangabaú, anunciado com orgulho e pago com parte dos R$ 13 milhões gastos pela Virada Cultural. "Só precisamos de um cobertor", dizia Lucas Farias, 23 anos, sentado em frente à sua barraca enquanto a mulher tentava fazer o filho de seis meses dormir. "Vai ser uma noite fria e a chuva da manhã fez tudo virar lama."

A festa que só perde em gastos e tamanho para o carnaval proporcionou em sua 14ª edição dois sentimentos extremos em boa parte da população que andava pelas ruas sob uma temperatura que chegaria a 9,6ºC na manhã de domingo.

Apesar de atrasos e falhas de som, shows como o de Baby do Brasil, Tulipa Ruiz e Pitty na abertura de sábado; a sambista Aline Calixto às 22h; Elza Soares à meia-noite; La Cumbia Negra às 11h; Fundo de Quintal às 15h; e Paralamas do Sucesso no encerramento criavam instantes em que o entorno desaparecia e o público levitava. Aline segurou uma plateia nas mãos com apenas dois músicos, La Cumbia mostrou a força de seu Caribe rock and roll; o Fundo de Quintal aglutinou uma das plateias mais envolvidas e os Paralamas deixaram que o peso de sua história falasse por si. Até que o show acaba e um pesadelo surge com força, entre um palco e outro. O alto número de moradores de rua, o acampamento dos desabrigados no Largo do Paiçandu e os escombros do edifício que foi abaixo, perto de onde ficavam dois palcos de viradas anteriores, deixam, desta vez, as duas realidades - a festa e a agonia - mais visíveis.

Se não é um erro realizar uma Virada sem iniciativas ligadas aos desabrigados e em meio a um cenário humano tão degradado? A pergunta do Estado foi respondida pelo secretário de Cultura André Sturm: "Acho que o fato de as pessoas virem para a região central pode ter um efeito positivo para que elas vejam a dura realidade de quem mora nas ruas." Foi tudo o que, disse, pôde fazer.

O frio pareceu afugentar o público. O Ira!, refazendo o disco de 1986 Vivendo e Não Aprendendo, às 4h, tinha uma plateia pequena se comparada a shows que a banda fez na Virada de outras edições. Cantada por uma voz de Nasi que não chega mais às notas, Pobre Paulista fazia seu desserviço poético preconceituoso: "Não quero ver mais essa gente feia / Não quero ver mais os ignorantes / Eu quero ver gente da minha terra / Eu quero ver gente do meu sangue", dizia antes do refrão "pobre São Paulo, pobre paulista...". A alguns passos, Lucas Silva, o pobre nordestino, cuidava do acampamento do Paiçandu como um cão de guarda. "Não posso dormir aqui, as pessoas nos roubam." Mesmo com tanta polícia por aí? Ele sorri: "Meu amigo, a polícia não é para nós".

Mariana Aydar fez um belo show na Praça do Patriarca, com xotes e baiões que serviriam como trilha da vida de alguém que não conseguia escutá-la por estar do outro lado do Viaduto do Chá. Divorciada de um marido que flagrou com a empregada doméstica, mãe de quatro filhos, quatro anos de experiência no Japão, Gisele Aparecida, 36 anos, conseguiu erguer um cercado de papelão na Avenida São João há uma semana. Enrolada em roupas e cobertores, ela fala do ex-homem de sua vida até o choro impedir. "Não deu, desculpa."

A mulher de José Tomás, também no acampamento, está com três meses de gestação. Ele primeiro fica rude com o repórter, depois desabafa. "Como eles podem colocar mais de cem banheiros químicos aqui ao lado e não nos dar nenhum por todos esses dias?" Pouco depois, não dá para ouvir o Fundo de Quintal sem lembrar de sua desesperança. "Surpreender o mal interior / Qualquer motivo pra me libertar / Enxergar o facho verde da esperança / A luz que há de iluminar / Por onde eu tenho vontade de passar." 

(Colaboraram João Paulo Carvalho e Guilherme Sobota)

Fonte: O Estado de S. Paulo.

domingo, 20 de maio de 2018

Ariano Suassuna



Ariano Vilar Suassuna nasceu no dia 16 de junho em 1927 na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa, na época em que seu pai, João Suassuna, era presidente do Estado da Paraíba. Quando seu pai deixou o cargo, a família se mudou para o sertão do Estado; ali Ariano passou grande parte da sua infância, entre os municípios de Sousa e de Taperoá. Em 1943, Ariano e sua família mudaram-se para o Recife, cidade em que viveu até sua morte em 2014. Ariano foi casado com D. Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos. Apesar de ser mais conhecido como romancista, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna também foi um grande artista plástico, e é sobre esta faceta do grande mestre que dedicaremos esta publicação.

Ariano Suassuna foi sempre um grande defensor e difusor da cultura popular brasileira. Juntamente com um grupo de artistas e escritores, fundou em 1970 em Recife o Movimento Armorial, que tinha como objetivos a construção e a valorização de uma arte erudita essencialmente brasileira, a partir de elementos da cultura popular nordestina. [...] A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados [...], escreveu Ariano em 1975. Segundo o mestre, o termo armorial se referia “a um conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa”. Assim sendo, o Movimento Armorial significava o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras. O Movimento valorizava a pintura, a música, a literatura, a cerâmica, a dança, a escultura, o teatro, a gravura, o cinema, dentre outros. Neste contexto, o Mestre Ariano contribuiu, não somente como um idealizador do movimento e incentivador destas manifestações artísticas, mais também como um destes artistas, sobretudo na literatura, na gravura, na pintura e no teatro.


Ariano e sua esposa D. Zélia. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

A arte plástica de Ariano foi iniciada juntamente com a sua literatura. O mestre costumava ilustrar as páginas de seus manuscritos com motivos florais, figuras fantásticas, dentre outros, que cobriam as margens do papel numa espécie de moldura para o texto. Nos romances A pedra do reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta, decidiu ilustrar ele mesmo os livros. Ao contrário das gravuras tradicionais, as dos seus romances têm papel estrutural na história e normalmente são assinadas por um dos personagens. Mais trade, com o Movimento Armorial, Ariano combinou a iluminura (Técnica praticada na Idade Média, que consistia em uma pintura decorativa aplicada às letras capitulares dos códices de pergaminho medievais) com a gravura, criando assim a iluminogravura, uma espécie de “poesia visual”. Imagens de cavaleiros, animais, brasões, armas, bandeiras, cruzes se misturava à poesia do Mestre e de outros grandes poetas brasileiros, a exemplo de Augusto dos Anjos.


Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino. 

Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino. 

Na confecção das iluminogravuras, Ariano primeiro produzia uma matriz com suas ilustrações combinadas com poemas manuscritos, feitos em nanquim sobre papel. A partir daí fazia cópias em uma gráfica, através do processo offset e, manualmente coloria os desenhos com tinta guache, óleo e/ou aquarela. O texto era escrito com letras que lembravam as marcas de gado feitas com ferro quente. Baseado nestas marcas, Ariano desenvolveu um trabalho tipográfico ligado à sua heráldica sertaneja: o Alfabeto Armorial. 


Tipografia armorial 

Ariano Suassuna, O mundo do sertão, guache sobre offset. 

Ariano Suassuna, A estrada, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, A Acauham. A Malhada da Onça, guache sobre impressão offset.

As iluminogravuras de Ariano eram criações inspiradas na arte popular e rupestre do Brasil. As figuras, humanas ou não, lembram a xilogravura de Gilvan Samico e J. Borges. O sertão sempre presente, é retratado com um lugar sagrado e místico, com seus cavaleiros, profetas, bandeiras e brasões, destacando sua beleza, mas sem negar as suas mazelas. Sobre essa sua faceta de artista plástico, Ariano era muito modesto. Dizia que era um escritor que ilustrava livros. Apesar das ilustrações e iluminogravuras serem mais conhecidas dentro da obra do artista plástico Ariano Suassuna, ele também pintou alguns quadros em tela. 


Capa de uma série de iluminogravuras de Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna, Lápide, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O reino da Acauhan, guache sobre impressão offset.

Ariano era formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, hoje Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na UFPE foi professor durante 31 anos, atuando nos Departamentos de História e de Teoria da Arte e Expressão Artística, onde ministrava disciplinas como Estética, Literatura brasileira e Teoria do Teatro. Ocupou ainda o cargo de secretário de cultura do estado de Pernambuco durante os governos de Miguel Arraes e de Eduardo Campos. Era membro da Academia Brasileira de Letras.

[...] Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa. (Ariano Suassuna, 1927-2014). 


Ariano Suassuna, título desconhecido.

Ariano Suassuna, O sono e o mito, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, Infância, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O amor e a morte, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O campo, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O amor e o desejo, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, A viagem, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O sol de Deus, guache sobre impressão offset.

Fonte: www.artepopularbrasil.blogspot.com.br

'Em cima dessa roda também bate um coração', diz Herbert Vianna

(Foto: Reprodução)
Os Paralamas do Sucesso não precisaram se esforçar muito para levar um bom público ao palco A História do Rock, na Avenida Ipiranga, em frente ao Edifício Copan, neste domingo, 20, em uma das últimas apresentações da 14ª edição da Virada Cultural. Em uma gélida e típica tarde de outono, Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro enfileiraram hits dos seus mais de 30 anos de banda.

Ao lado do tradicional saxofone e do fiel escudeiro João Fera, o power trio soube mesclar bem o repertório mais clássico da época do ska, na década de 1980, e as baladas radiofônicas. "Alguns de vocês devem conhecer essa próxima música. Ela tem um começo mais obscuro", disse Herbert antes dos primeiros acordes de Aonde Quer Que Eu Vá.

Em ritmo de encerramento, Os Paralamas do Sucesso apostaram em um set menos ousado. Poucas foram as composições de Sinais do Sim, disco mais recente lançado no ano passado. Diante de um público mais jovem, triunfaram clássicos como Lanterna dos Afogados, Cuide Bem Do Seu Amor e Caleidoscópio.

Diferentemente da noite do último sábado, 19, quando houve confusão na performance do Bloco Tarado Ni Você e Caetano Veloso, o clima durante o show de Os Paralamas de Sucesso foi de tranquilidade. Havia muitas crianças acompanhadas dos pais, apesar da temperatura ter caído bastante ao anoitecer. Por volta das 17h30, os termômetros chegaram a 13 graus.

Alagados e Vital E Sua Moto deram números finais a uma apresentação curta, porém intensa. O bis ainda teve tempo para Óculos. Emocionado, Herbert brincou com uma parte da letra: "Em cima dessa roda também bate um coração".

Fonte: O Estadão

Virada Cultural tem fila para carrinho bate-bate e sensação de esvaziamento

(Foto: Roberto Sungi / Futura Press/ Folhapress)
O centro de São Paulo voltou a ser o cenário principal da Virada Cultural depois da tentativa da prefeitura de dispersar as atrações pela cidade ano passado. Mas isso não significa que o evento voltou a ser exatamente o mesmo de outrora. A não ser pelas aglomerações localizadas em frente a determinados palcos, o ambiente nesta noite de sábado (19) e madrugada de domingo é relativamente tranquilo. Caminha-se pela região entre a Praça da República e o Vale do Anhangabaú sem que seja necessário atravessar multidões.

Não se trata de afirmar que há pouco público, longe disso. Mas a diferença para outras edições da Virada Cultural, quando o centro inteiro vibrava ensandecido, é visível. Em que pese o frio que faz em São Paulo, a impressão geral de que a mobilização do paulistano pelo evento perdeu, em um nível ainda difícil de mensurar, algo de sua intensidade.

Os gramados do Vale do Anhangabaú, em outras edições apinhados de gente descansando, assistindo aos shows ou simplesmente embriagada, têm bastante espaço livre na hora do show da Gretchen. Em alguns bares, é possível simplesmente chegar, comprar a bebida e sair. E até sentar, algo inimaginável há cerca de dez anos. 

(Foto: Ricardo Matsukawa/UOL)
Se o centro não está tão abarrotado quanto em um passado recente, isso não significa que o evento não tem seus bolsões de entusiasmo e ferveção. O bloco Tarado Ni Você, por exemplo, arrasta uma pequena multidão pela Rua da Consolação. Parece uma versão mais sóbria do Carnaval, quando também desfilou pelas ruas do centro. No lugar do glitter, da fantasia e do topless, cachecol, malhas e casacos. Apesar de que lá está também uma típica figura paulistana: a pessoa que não acompanha a previsão do tempo ou parece imune às intempéries.

Não há massa de ar polar capaz de botar medo em certos foliões, bravos o bastante para usarem regata ou top mesmo quando nossos olhos parecem que vão gangrenar de frio só de observá-los.

O Tarado Ni Você lembra o Carnaval também em outro aspecto. Apesar de a ideia do trio elétrico agradar, impõe ao público um velho desafio: ou você se acotovela para chegar perto do trio ou dificilmente ouvirá realmente a música.

“Os paulistanos precisam fazer umas aulas com os baianos para melhorar isso. É muito difícil ouvir o som”, diz Arina Alba, que veio de Florianópolis de ônibus só para passar o aniversário na Virada Cultural.

Logo ali ao lado, o trânsito na Rua Augusta está completamente travado. Parece que houve quem achasse uma boa ideia ir ao centro de carro mesmo com tantas vias interditadas.

“A Virada Cultural está passando uma impressão de desmonte”, diz Amina Urasaki, sentada em um bar ao lado de um palco na rua Barão de Itapetininga. “Está meio melancólico mesmo se comparada com o ano passado.”

Nem só de shows, vale lembrar, vive a Virada Cultural. Uma atração para lá de prosaica, por exemplo, diverte muita gente em frente ao Teatro Municipal. É um tablado com refletores onde as pessoas podem subir e ver suas sombras projetados no prédio em frente (o da antiga loja Mappin). 

O público se empolga vendo silhuetas de beijos apaixonados, mãos que fazem às vezes de bocas e danças que escandalizariam as tradicionais famílias paulistanas que compravam ali antigamente. 

E que tal curtir um barco viking ou um chapéu mexicano em plena madrugada gelada? Pois o parque de diversões montado em pleno Vale do Anhangabaú também agrada ao público.

O barco viking é aquele brinquedo que vai para lá e para cá num movimento pendular e estimula um friozinho na barriga. Pouco depois da meia-noite, a fila para a atração (gratuita) é de cerca de quarenta minutos.

Já o chapéu mexicano consiste em várias cadeirinhas ligadas a um eixo que gira loucamente. Neste caso, o rapaz que controla a entrada do público calcula em uma hora e quarenta minutos o tempo na fila para desfrutá-lo.

Mas também há atrações mais tranquilas. O clássico carrinho bate-bate, por exemplo, atrai principalmente casais com crianças. “É ele quem vai dirigir, então tudo bem. Além disso, moro aqui do lado”, brinca Aldair Tomaz. Ele espera a vez para que o filho Luis Gabriel, de nove anos, possa brincar, enquanto degusta uma caipirinha.

“A prefeitura tentou dar uma esvaziada na Virada, mas acho que tem a ver também com a qualidade das atrações”, diz Fernando Cirillo sobre atual momento do evento. “Antes você vinha e assistia um Buena Vista Social Club (famoso grupo musical cubano), por exemplo. Hoje não tem isso, e acho que começou, não sei bem o porquê, já no último ano do Haddad.”

Na Líbero Badaró, a festa Javali anima um público relativamente pequeno. O efeito “cânion urbano” dificulta um pouco as coisas. O vento encanado pelos prédios da rua sopra tão forte na madrugada que só mesmo ritmos dançantes como “Ana Júlia” parecem capazes de fazer as pessoas esquecerem que não sentem mais suas extremidades. 

E nada melhor que assistir a um bom filminho de terror em uma noite fria, certo? Pois é possível fazê-lo na rua 15 de novembro. Claro que o ambiente não é tão confortável quanto o do lar, mas, mesmo assim, o cinema ao ar livre montado no local está quase todo lotado perto das duas e meia da manhã.

O filme em cartaz é “The Poughkeepsie Tapes”, um falso documentário sobre um serial killer. Foi supostamente banido dos cinemas por quase dez anos por conta do alto grau de crueldade e realismo de suas cenas. Nada que impeça alguns de aproveitar as cadeiras para dormir um pouco e, quem sabe, acordar com a energia renovada.

Por Daniel Lisboa

Fonte: UOL

'Chaves' e 'Chapolin' estreiam no Multishow com mais de cem episódios inéditos


Repetidos incontáveis vezes pelos protagonistas de “Chaves” e “Chapolin” ao longo de quase quatro décadas na TV brasileira, os bordões “Foi sem querer querendo”, “Isso, isso, isso”, “Ninguém tem paciência comigo” e “Não contavam com minha astúcia” serão ouvidos a partir desta segunda (20), às 23h, no Multishow. O canal por assinatura comprou da mexicana Televisa um pacote com os mais de 500 episódios dos dois seriados, já exibidos à exaustão pelo SBT desde os anos 1980.

Deste pacote, cerca de 140 episódios são inéditos por aqui (são mais de 90 episódios de “Chapolin” e mais de 40 de “Chaves”). Para entender o tipo de tratamento que daria às séries, o Multishow recrutou um grupo de fãs dos programas — criados em 1971 e hoje considerados verdadeiros cults — e promoveu mesas de discussão com eles. O canal decidiu exibir as duas atrações diariamente, em ordem cronológica e no horário noturno.

— Alguns episódios originais traziam esquetes raras, que também iremos exibir — conta a diretora de programação e conteúdo digital do canal Tatiana Costa, que explica o interesse do Multishow pelas produções. — O humor é um dos nossos pilares. A gente entendeu, através de pesquisas, que “Chaves” e “Chapolin” fazem parte do inconsciente coletivo do nosso telespectador. Mesmo sendo uma franquia exibida há quase 40 anos no Brasil, os programas têm um tipo de humor atemporal.

Memes e festas infantis

Além de ter comprado os direitos de exibição dos seriados para a TV paga (os episódios terão um selo com o ano de produção de cada um deles), o Multishow irá disponibilizar todo o conteúdo na plataforma Multishow Play após a exibição na TV. A intenção do canal, conta a diretora de programação, é dar um novo tratamento ao programa estrelado e criado pelo ator Roberto Bolaños, morto aos 85 anos, em 2014.

— Nossa intenção não foi comprar um enlatado e botar na programação. Vamos trabalhar hashtags do programa em nossas redes sociais. Os memes na web mantêm a franquia viva até hoje. As duas séries têm fãs muito ativos na internet. O perfil “Chapolin Sincero”, no Instagram, possui mais de 13 milhões de seguidores. Os personagens são ainda temas de festas infantis, e há vários produtos licenciados com a imagem deles — lista Tatiana.

Além da versão dublada em português, o público do canal poderá optar pelo áudio original em espanhol. Todo o material foi digitalizado, e a dublagem dos episódios inéditos reuniu o elenco de dubladores brasileiros ainda vivos.

Morto em 1995, Marcelo Gastaldi, dublador de Chaves, foi substituído por Daniel Müller, que já dublou episódios exibidos pelo SBT.

— A gente teve uma preocupação grande com a dublagem, que é icônica. As únicas vozes novas serão as de Dona Clotilde e do Professor Girafales. E tudo passou pela aprovação dos fãs que recrutamos — conta a diretora de programação. — A gente também refez boa parte da sonoplastia dos episódios. Reconstruímos efeitos, por exemplo.

FÃS FAMOSOS

Com um público que ultrapassa gerações, “Chaves” e “Chapolin” têm vários nomes famosos entre seus fãs. No ar atualmente na novela “Deus salve o rei”, Tatá Werneck, que teve o bolo e os docinhos do seu aniversário de 34 anos, no ano passado, decorados com os personagens das séries, é uma entusiasta das produções.

— Cresci assistindo a “Chaves”. Eu me lembro de não conseguir descolar da TV. Sabia todos os episódios de cor, mas não entendia exatamente por que era tão viciante. Hoje percebo que o humor do seriado e o trabalho dos atores são atemporais. Uma criança dos anos 1980 e de hoje em dia, mesmo com todas as mudanças na qualidade apresentada, vai entender do que se trata. Não ofende ninguém. É simples, e por esse motivo é uma das obras mais geniais. Amo todos os personagens. Mas amava mais Chaves, Seu Madruga e Chiquinha — enumera Tatá.

Amigo da atriz, o ator e mágico Gabriel Louchard, que tem um quadro com os personagens de “Chaves” na parede do escritório de sua casa, costuma trocar impressões sobre os programas com Tatá.

— A gente faz um jogo de perguntas e respostas sobre as séries. Ela me manda mensagem com parte de uma frase e tenho que concluir. “Chaves” é uma inspiração para muitos humoristas. É um programa que tem uma magia que não se explica muito. Até hoje, se eu tiver de bobeira, vou assistir aos episódios, e vou rir do mesmo jeito. Não importa o fato de conhecer todas as piadas — completa Louchard, que elege Seu Madruga como personagem preferido. — Ele é meio malandro, um mexicano meio carioca.

O humorista Rafael Infante é outro fã da produção mexicana. E destaca o trabalho dos dubladores brasileiros:

— É muito genial a dublagem, que não perde em nada o ritmo original. Se você pensar, os personagens são quase caricatos. Mas, apesar dos estereótipos, todos aqueles tipos existem.

Fonte: O Globo

Ozzy Osbourne traz turnê de despedida ao Rio

(Foto: Guilherme Leporace / O Globo)
Um dos mais influentes vocalistas da história do heavy metal e do hard rock, o cantor Ozzy Osbourne (Black Sabbath) leva neste domingo à Jeunesse Arena, na Barra, sua turnê de despedida, “No more tours”.

Acompanhado por Zakk Wylde (guitarra), Blasko (baixo), Tommy Clufetos (bateria) e Adam Wakeman (teclados), Ozzy canta músicas que marcaram seus 50 anos de carreira, como “Crazy train”, “Mr. Crowley”, “Bark at the moon” e “Mama, I’m coming home”.

Onde: Jeunesse Arena. Av. Embaixador Abelardo Bueno 3.401, Barra — 2430-1750.

Quando: 20/05, às 20h30m.

Quanto: R$ 280 (cadeira superior), R$ 350 (cadeira inferior e pista), R$ 380 (cadeira inferior) e R$ 650 (camarote) e R$ 680 (pista premium).

Classificação: Não recomendado para menores de 18 anos.

Fonte: O Globo