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domingo, 20 de maio de 2018

Ariano Suassuna



Ariano Vilar Suassuna nasceu no dia 16 de junho em 1927 na cidade da Paraíba, hoje João Pessoa, na época em que seu pai, João Suassuna, era presidente do Estado da Paraíba. Quando seu pai deixou o cargo, a família se mudou para o sertão do Estado; ali Ariano passou grande parte da sua infância, entre os municípios de Sousa e de Taperoá. Em 1943, Ariano e sua família mudaram-se para o Recife, cidade em que viveu até sua morte em 2014. Ariano foi casado com D. Zélia de Andrade Lima, com quem teve seis filhos. Apesar de ser mais conhecido como romancista, dramaturgo e poeta, Ariano Suassuna também foi um grande artista plástico, e é sobre esta faceta do grande mestre que dedicaremos esta publicação.

Ariano Suassuna foi sempre um grande defensor e difusor da cultura popular brasileira. Juntamente com um grupo de artistas e escritores, fundou em 1970 em Recife o Movimento Armorial, que tinha como objetivos a construção e a valorização de uma arte erudita essencialmente brasileira, a partir de elementos da cultura popular nordestina. [...] A Arte Armorial Brasileira é aquela que tem como traço comum principal a ligação com o espírito mágico dos "folhetos" do Romanceiro Popular do Nordeste (Literatura de Cordel), com a Música de viola, rabeca ou pífano que acompanha seus "cantares", e com a Xilogravura que ilustra suas capas, assim como com o espírito e a forma das Artes e espetáculos populares com esse mesmo Romanceiro relacionados [...], escreveu Ariano em 1975. Segundo o mestre, o termo armorial se referia “a um conjunto de insígnias, brasões, estandartes e bandeiras de um povo, a heráldica é uma arte muito mais popular do que qualquer coisa”. Assim sendo, o Movimento Armorial significava o desejo de ligação com essas heráldicas raízes culturais brasileiras. O Movimento valorizava a pintura, a música, a literatura, a cerâmica, a dança, a escultura, o teatro, a gravura, o cinema, dentre outros. Neste contexto, o Mestre Ariano contribuiu, não somente como um idealizador do movimento e incentivador destas manifestações artísticas, mais também como um destes artistas, sobretudo na literatura, na gravura, na pintura e no teatro.


Ariano e sua esposa D. Zélia. Reprodução fotográfica autoria desconhecida.

A arte plástica de Ariano foi iniciada juntamente com a sua literatura. O mestre costumava ilustrar as páginas de seus manuscritos com motivos florais, figuras fantásticas, dentre outros, que cobriam as margens do papel numa espécie de moldura para o texto. Nos romances A pedra do reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-volta, decidiu ilustrar ele mesmo os livros. Ao contrário das gravuras tradicionais, as dos seus romances têm papel estrutural na história e normalmente são assinadas por um dos personagens. Mais trade, com o Movimento Armorial, Ariano combinou a iluminura (Técnica praticada na Idade Média, que consistia em uma pintura decorativa aplicada às letras capitulares dos códices de pergaminho medievais) com a gravura, criando assim a iluminogravura, uma espécie de “poesia visual”. Imagens de cavaleiros, animais, brasões, armas, bandeiras, cruzes se misturava à poesia do Mestre e de outros grandes poetas brasileiros, a exemplo de Augusto dos Anjos.


Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino. 

Ariano Suassuna, ilustração do romance A pedra do reino. 

Na confecção das iluminogravuras, Ariano primeiro produzia uma matriz com suas ilustrações combinadas com poemas manuscritos, feitos em nanquim sobre papel. A partir daí fazia cópias em uma gráfica, através do processo offset e, manualmente coloria os desenhos com tinta guache, óleo e/ou aquarela. O texto era escrito com letras que lembravam as marcas de gado feitas com ferro quente. Baseado nestas marcas, Ariano desenvolveu um trabalho tipográfico ligado à sua heráldica sertaneja: o Alfabeto Armorial. 


Tipografia armorial 

Ariano Suassuna, O mundo do sertão, guache sobre offset. 

Ariano Suassuna, A estrada, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, A Acauham. A Malhada da Onça, guache sobre impressão offset.

As iluminogravuras de Ariano eram criações inspiradas na arte popular e rupestre do Brasil. As figuras, humanas ou não, lembram a xilogravura de Gilvan Samico e J. Borges. O sertão sempre presente, é retratado com um lugar sagrado e místico, com seus cavaleiros, profetas, bandeiras e brasões, destacando sua beleza, mas sem negar as suas mazelas. Sobre essa sua faceta de artista plástico, Ariano era muito modesto. Dizia que era um escritor que ilustrava livros. Apesar das ilustrações e iluminogravuras serem mais conhecidas dentro da obra do artista plástico Ariano Suassuna, ele também pintou alguns quadros em tela. 


Capa de uma série de iluminogravuras de Ariano Suassuna.

Ariano Suassuna, Lápide, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O reino da Acauhan, guache sobre impressão offset.

Ariano era formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, hoje Centro de Ciências Jurídicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Na UFPE foi professor durante 31 anos, atuando nos Departamentos de História e de Teoria da Arte e Expressão Artística, onde ministrava disciplinas como Estética, Literatura brasileira e Teoria do Teatro. Ocupou ainda o cargo de secretário de cultura do estado de Pernambuco durante os governos de Miguel Arraes e de Eduardo Campos. Era membro da Academia Brasileira de Letras.

[...] Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa. (Ariano Suassuna, 1927-2014). 


Ariano Suassuna, título desconhecido.

Ariano Suassuna, O sono e o mito, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, Infância, guache sobre impressão offset.

Ariano Suassuna, O amor e a morte, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O campo, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O amor e o desejo, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, A viagem, guache sobre impressão offset. 

Ariano Suassuna, O sol de Deus, guache sobre impressão offset.

Fonte: www.artepopularbrasil.blogspot.com.br

terça-feira, 8 de maio de 2018

Dona Irinéia

FOTO: autoria desconhecida



Irinéia Rosa Nunes da Silva é uma das mais reconhecidas artistas da cerâmica popular brasileira. Ela faz parte de um grupo de remanescentes quilombolas do povoado do Muquém, município de União dos Palmares, zona da mata Alagoana, onde nasceu no dia 7 de janeiro de 1949. É um lugar bastante simbólico; está próximo à Serra da Barriga, terra do Quilombo dos Palmares, do Quilombo de Zumbi. 

Como muitos outros ceramistas, Dona Irinéia começou fazendo peças utilitárias junto com sua mãe para ajudar na renda familiar. Casou-se, separou-se. Depois dessa separação conheceu Antonio Nunes, Seu Toinho. Essa união trouxe folego novo para o trabalho de Dona Irinéia; pouco a pouco a cerâmica utilitária foi dando lugar às esculturas com as quais Dona Irinéia ganhou fama e reconhecimento. “Ele também mexia com barro quando era jovem. O pai de Toinho fazia telha e ele ajudava no acabamento. Depois que a gente se casou ele começou a ir buscar barro ali no barreiro e a gente começou a fazer algumas coisas além de panela e jarro. É que o povo encomendava mão de barro, cabeça e outras partes do corpo pra poder pagar promessa. E a gente fazia tudo”, diz Dona Irinéia. Assim já se vão mais de 35 anos de trabalho amassando e modelando o barro.


Mulher com flores. FOTO: autoria desconhecida


Cabeças. FOTO: autoria desconhecida



Dona Irinéia conta que foram as encomendas das pessoas que iam pagar promessa em Juazeiro do Norte-CE que despertaram sua imaginação. “Eu não tinha noção de fazer nada com o barro usando a minha mente, aí foi que Deus me mostrou a minha arte e graças a ele deu certo. Quando estou longe do barro não estou feliz. É ele que faz a minha imaginação acontecer, ele é a minha vida”, diz a artista. Suas criações resultam das memórias de sua própria vida e da realidade que cerca a comunidade quilombola. Dona Irinéia retrata animais, presépios e desde 2010, retrata uma jaqueira que serviu de abrigo para parte da sua comunidade que foi desabrigada após uma grande enchente.






Aos quase 70 anos de idade, Dona Irinéia é mãe de 11 filhos continua na lida diária com barro. Ela mora no seu povoado de Muquém, onde recebe visitas de gente do Brasil e do exterior interessada pelo seu trabalho. Em 2004, Dona Irinéia ficou entre as dez finalistas do Prêmio Unesco de Artesanato da América Latina. Em 2005, foi reconhecida pelo governo do estado de Alagoas como Patrimônio Vivo de Alagoas. Ao longos do anos suas peças se tornaram cada vez mais conhecidas pelo Brasil. É comum encontrá-las em exposições em galerias em cidades como Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2015 esculturas de Dona Irinéia artesã foram levadas para Itália, a convite da Expo Milão, uma feira que reúne obras de arte de 140 países.


Mulher com crianças nos braços. FOTO: autoria desconhecida


FOTO: autoria desconhecida



Contato com Dona Irinéia
Endereço: Povoado do Muquém, s/n, União dos Palmares – Alagoas, CEP 57800-000
Contato: (82) 99624-5923 / 99696-8885 / 99948-5213 / 99663-0563


Homem fazendo xixi. FOTO: autoria desconhecida


Padre Cícero. FOTO: autoria desconhecida


FOTO: autoria desconhecida




Fonte: http://artepopularbrasil.blogspot.com.br

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Aberaldo Santos: alagoano esculpe suas peças em mulungu e outras madeiras de textura mole.

(FOTO: Pablo de Luca, Tribuna Hoje, Alagoas)

Aberaldo Santos Costa Lima nasceu no município alagoano de Pão de Açúcar em 1960. Filho de um fabricante de canoas, Aberaldo começou a trabalhar com a madeira desde muito cedo. Porém, não seguiu a carreira do pai; foi com a arte figurativa que Aberaldo mais tarde veio a se tornar um dos escultores populares mais prestigiados do Brasil. O artista mora em um povoado às margens do Rio São Francisco chamado Ilha do Ferro, distante 18 km da sede do município de Pão de Açúcar. Assim como o Alto do Moura e Tracunhaém em Pernambuco ou o Vale do Jequitinhonha e Prados em Minas Gerais, a Ilha do Ferro em Alagoas é hoje considerado um dos mais importantes pólos de produção de arte popular e artesanato do Brasil. A notoriedade deste povoado se deve, inicialmente, ao trabalho de um artista genial, Fernando Rodrigues dos Santos (1928-2009), o Fernando da Ilha do Ferro. As esculturas de Seu Fernando representam para a Ilha do Ferro o mesmo que representam os bonecos de Vitalino para o Alto do Moura, os leões de Nuca para Tracunhaém, as bonecas de D. Izabel para o Vale do Jequitinhonha ou os bichos de madeira de Antonio Julião para Prados. Ainda hoje a obra de Seu Fernando serve de inspiração para muitos dos que vivem da arte na Ilha do Ferro, dentre eles Aberaldo Santos.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.


O artista já participou de várias exposições pelo Brasil, dentre elas: Arte Popular: Coleção Tânia de Maia Pedrosa (Maceió, 2002); Arte Popular Alagoana (Maceió, 2003); Tesouros da Ilha do Ferro (Maceió, 2005), Arte Brasileira: além do sistema (São Paulo, 2010). As peças de Aberaldo atualmente são muito disputadas por colecionadores e apreciadores de sua obra. Elas podem ser encontradas em importantes galerias, museus e coleções particulares pelo Brasil.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.

Aberaldo Santos, título desconhecido, madeira policromada. Foto: autoria desconhecida.

Fonte: www.artepopularbrasil.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de abril de 2018

Célio Roberto: o pernambucano e seu talento nato em retratar figuras conhecidas com métodos tradicionais de manejo com barro.


(FOTO: Autoria desconhecida)

Célio Roberto nasceu na cidade de Pedra, Pernambuco, mas hoje mora no povoado de Guanumbi, município de Buíque-PE, a 290 km da capital Recife. Célio se descobriu artista aproveitando os restos de barro de uma olaria fundada por seu pai quando ele ainda tinha oito anos de idade. O que começou como uma simples brincadeira, acabou revelando o talento que possibilitou transformar essa brincadeira em ofício. Esse talento foi revelado, sobretudo, através da capacidade que tinha Célio de fazer caricaturas de moradores da região. A caricatura de um senhor chamado “Zé de Lixandre” foi a primeira delas; foi a peça que abriu caminho para tantas outras que viriam a posteriori. Hoje, depois de ter aperfeiçoado suas habilidades com o barro, impressiona a todos pelo seu perfeccionismo nas feições e no detalhe característico de cada uma das pessoas que retrata. Tornou-se um retratista do barro.



Célio divide seu tempo entre a criação de gado e a sua arte. É fiel aos métodos tradicionais de manejo com barro; sem qualquer mecanização, apenas a enxada, as mãos e umas poucas ferramentas improvisadas. Ele próprio é o responsável pela extração e pelo preparo do barro dentro de uma pequena propriedade rural que possui. Com o talento nato e o aperfeiçoamento de suas habilidades ao longo dos anos vem retratando figuras conhecidas do mundo da arte, da política e algumas personalidades, como Dominguinhos, Patativa do Assaré, Luiz Gonzaga, Lampião, Ariano Suassuna e o presidente Lula, que recebeu uma imagem sua quando visitou a cidade de Buíque.

(FOTO: Tiago Henrique Silva)

FOTO: Tiago Henrique Silva

FOTO: Tiago Henrique Silva

FOTO: Tiago Henrique Silva


Hoje, com o reconhecimento pela sua arte e após algumas edições da FENEARTE (Olinda-PE), segue com seu trabalho, confeccionando lindas obras de arte, onde algumas podem ser vistas em seu atelier, no povoado de Guanambi, Buíque-PE.


FOTO: Tiago Henrique Silva



Contato
  
Célio Roberto

Fone: 87 99826 0106 / 99931 3634
Email: celioroberto.art@hotmail.com



Fonte: http://artepopularbrasil.blogspot.com.br/

Bento de Sumé: as criações de animais e santos em esculturas de madeira


(Foto: Novos Para Nós)


Espalhadas pelo quintal da casa de Bento Medeiros Gouveia, a madeira é aparentemente um entulho. No quarto ao fundo, o chão batido está salpicado de tintas. Envolta as aves reunidas estariam prontas para o voo se não fossem feitas de imburana, árvore típica da Caatinga nordestina. Na cidade do Cariri paraibano, Bento de Sumé fabrica arte.

Além dos pássaros, no espaço ainda há esculturas de outros animais como onças, cavalos, bois, tatus, cobras, personagens do imaginário popular e também as imagens religiosas como as de São Francisco, São José, Santo Antônio e Nossa Senhora. O entalhe do artista é considerado primitivo, característica que imprime personalidade e identidade as suas obras.


(Foto: Novos Para Nós)


Natural de Sumé, Bento morou muitos anos em São Paulo onde trabalhava como prestador de serviços. Depois de um atropelamento, não conseguiu mais voltar a antiga função e decidiu retornar ao estado natal.

Quando já estava na Paraíba, encontrou perto de casa um palete de madeira. Do material resolveu criar algum trabalho artístico: pássaros. Desde então, o escultor tem se dedicado a transformar objetos em peças com status de arte.

(Foto: Novos Para Nós)

As esculturas de Bento de Sumé são reconhecidas por lojistas, arquitetos, decoradores e colecionadores de todo o Brasil. O trabalho do artista começou a ser comercializado na feira livre da cidade de Sumé. Só em 2005 o escultor ganhou o reconhecimento no estado e fora dele.

Mesmo esculpindo peças diversas, são mesmos os bichos o tema preferido do artista. De todo o trabalho, o maior desafio são as curvas que os troncos da madeira empregam na matéria-prima. Bento se diverte com desenho que a própria natureza criou. “A melhor parte de viver é criar”, comenta.

Esculturas de Bento de Sumé

(Foto: Novos Para Nós)
(Foto: Novos Para Nós)






Fonte: http://www.conexaoboasnoticias.com.br