terça-feira, 24 de abril de 2018

Novo Sítio São João tem estrutura melhor, em Campina Grande

(Foto: divulgação)

O novo Sítio São João, espaço tradicional do São João de Campina Grande, vem recebendo processos de finalização da estrutura para receber turistas durante o fim do mês de maio todo o mês de junho, em Campina Grande. O local também vai receber o programa ‘Arraiá da Correio’, da TV Correio.

A nova estrutura do Sítio São João vai ter Museu Iconográfico do Cangaço; três engenhos; Casa de Farinha; artesanato; produção e degustação de caldo de cana, cachaça, rapadura e alfenim; tipografia, fotos lambe-lambe, difusora, exposição de cordel; teatro de mamulengo; igreja principal com pátio; capela; lago; e dois palcos.

O novo Sítio fica na Avenida Floriano Peixoto, em uma área próxima ao Ginásio O Meninão, no bairro Dinamérica.

De acordo com o idealizador do Sítio São João, o vereador João Dantas, a mudança aconteceu porque o proprietário do terreno onde o sítio era montado anteriormente não quis renovar o contrato de aluguel.

Outra novidade do Sítio São João para 2018 é o Museu do Iconográfico do Cangaço, que contará com uma exposição de fotografias e conteúdos exclusivos que pertencem ao próprio idealizador do evento. “São fotos do cangaço, algumas que nunca nem foram publicadas, entrevistas que fiz com vários cangaceiros quando estavam vivos, e fatos que aconteceram envolvendo cangaceiros, volantes, ‘coitieiros’. Então tem tudo pra ser um sucesso”, finalizou o vereador.

Fonte: www.portalcorreio.com.br

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Projeto “Nas Asas da Leitura” promove nesta terça-feira (24), palestra sobre a escrita de autoria feminina na Literatura



O projeto Nas Asas da Leitura, vinculado ao Departamento de Letras e à Pró-Reitoria de Extensão (PROEX) da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), promove nesta terça-feira (24), às 9h, no Auditório II da Central de Integração Acadêmica (CIA), Câmpus de Bodocongó, em Campina Grande, a palestra “Mulheres na Literatura”, ministrada pela escritora Débora Gil Pantaleão, que discorrerá sobre a escrita de autoria feminina.

A palestrante é mestre em Letras pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e atua especialmente nas áreas de dramaturgias de língua inglesa, teorias do teatro e estudos interartes. Na ocasião, ela ainda falará sobre suas obras “Nem uma vez uma voz humana”, “Sozinha no cais deserto” e “Vão remédio para tanta mágoa”, que também estarão sendo vendidas durante o evento. Os interessados podem se inscrever no local do evento e, cumprida a carga horária, receberão certificados de participação.

Esta será a segunda atividades do Ciclo de Palestras promovido pelo projeto Nas Asas da Leitura, que é coordenado pela professora Amasile Lisboa e existe há mais de três anos, atuando também em escolas públicas municipais com a finalidade de promover a inclusão social através da leitura e despertar o prazer pela escola. Outras informações sobre o projeto podem ser obtidas através do telefone (83) 3344-5320.

Fonte: www.uepb.edu.br

Filme sobre violência policial vence É Tudo Verdade 2018

(Foto: Internet)

Filmes sobre a violência policial brasileira e o horror da guerra vencem o É Tudo Verdade 2018. "Auto de Resistência", de Natasha Neri e Lula Carvalho ganhou a Competição Brasileira de longas-metragens enquanto "O Distante Latido dos Cães", de Simon Lereng Wilmont, foi o eleito na Competição Internacional de longas.

Ambos debruçam-se sobre mazelas contemporâneas, porém com largo lastro histórico. No Brasil, "Auto de Resistência" mostra como um expediente jurídico serve à impunidade de policiais que praticam execuções sumárias no Rio de Janeiro. As imagens são de impacto e, numa delas, vemos de relance a vereadora Marielle Franco, executada há mais de mês por assassinos ainda desconhecidos.

Em "O Distante Latido dos Cães" temos imagens de uma família na zona de guerra entre Ucrânia e Rússia. A "normalização" dos conflitos, com bombas caindo de tempos em tempos, fuga para abrigos, etc., é vista pelos olhos de dois meninos, Oleg e Yarin, que vivem em Donesk, na Ucrânia. Não há discursos, culpabilizações ou análises. Apenas registro de um cotidiano atroz, que às vezes pode ser visto apenas como um jogo por olhares infantis.

"Roubar Rodin", de Cristóbal Valenzuela, venceu a Competição Latino-americana de longas. "Nome de Batismo - Alice", de Tila Chitunda, e "Ressonâncias", de Nicolas Khoury, são os curtas vencedores nas categorias brasileira e internacional, respectivamente. "Ex-Pagé", de Luiz Bolognesi, ganhou o prêmio da crítica, organizado pela Abraccine (Associação Brasileira de Críticos de Cinema). Para os críticos, o melhor curta nacional foi "Inconfissões", de Ana Galizia.

"Ex-Pagé" é espantoso - ótimo que tenha sido distinguido pela crítica. Mostra o caso de Perpera, pagé do povo Paiter Suruí até ser "destituído" pela chegada de uma igreja evangélica à aldeia. Tendo sua função considerada "coisa do diabo" pelo pastor, foi relegado ao cargo de porteiro do templo. Tudo muda quando uma mulher da aldeia é picada por uma cobra e fica entre a vida e a morte. O ex-pagé, ainda que temporariamente, readquire importância social - sua "eficácia simbólica", para evocar um artigo célebre de Lévi-Strauss sobre o xamanismo. Um filme de resistência, como definiu seu diretor.


Fonte: Jornal do Brasil

Guilherme Arantes faz show inédito e gratuito hoje em João Pessoa

(Foto: Divulgação)


Com mais de 40 anos de carreira, Guilherme Arantes vem até João Pessoa para fazer um show inédito e gratuito no Mangabeira Shopping, hoje (24), a partir das 19h. O paulista traz para a cidade seu último álbum lançado “Cores & Flores”. Com um repertório que agrada diversas gerações, o artista não deve deixar de fora da apresentação, que acontece no Palco de Eventos, na Praça de Alimentação do mall, grandes sucessos de sua trajetória como Planeta Água, Meu Mundo e Nada Mais, entre outros.

Quem for ao show vai ouvir canções dançantes no estilo pop e praieiras, músicas com influência do rock progressivo e latina, além de baladas clássicas. Sempre preocupado em oferecer aos seus clientes mais uma opção de lazer e entretenimento, o Mangabeira Shopping desde 2015 vem investindo em programação cultural tanto para o público adulto quanto o infantil.


Fonte: www.portalcorreio.com.br

Ator cajazeirense Nanego Lira participa de ‘Onde Nascem os Fortes’, série que estréia hoje na Rede Globo



Com estreia marcada para hoje (23), Onde Nascem os Fortes, a nova supersérie da Globo, tem a fotografia assinada pelo paraibano Walter Carvalho. “Isso é a ilha da fantasia. Voltar aqui tem um sentido lúdico de reencontro e também de delírio e felicidade”, comemorou.

Ovacionados pelos colegas de trabalho durante o evento, os paraibanos Nanego Lira e Zé Dumont contaram que as filmagens são um presente para os telespectadores. “É uma forma de agradecer a essa terra tudo que ela me deu. Nós temos um estado muito forte e a supersérie se baseia nisso”, falou Zé.

O Bar do Adauto será cenário de momentos importantes para a trama de Onde Nascem Os Fortes. Para dar pele, corpo, alma e camadas de interpretação do personagem está o ator paraibano Nanego Lira.

Gravações

O trabalho começou em outubro de 2017 e vai até o fim deste mês. Cerca de 60% das cenas foram feitas em externas e locações no semiárido paraibano, em um raio de 100 quilômetros partindo do hotel situado dentro do Lajedo de Pai Mateus, onde foram instalados ilha de edição, camarins e salas para figurinos.

Por isso, as visitas turísticas às formações rochosas continuam suspensas até o encerramento das gravações, já que, no local, foi construída uma estrutura feita com canos de PVC para simular uma oca de galhos com 50 metros de profundidade, 10 metros de largura e até oito de altura.

Outra criação da equipe de cenografia foi em uma fazenda no município de Soledade, que teve parte das construções reais alteradas para se tornar a fictícia cidade de Sertão, onde a supersérie será ambientada.

Onde Nascem os Fortes é escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, com direção artística de José Luiz Villamarim. No elenco, grandes nomes, como Fábio Assunção, Debora Bloch, Irandhir Santos, Enrique Diaz, Jesuíta Barbosa, Carla Salle, Lara Tremouroux, Alexandre Nero, Lee Taylor, Gabriel Leone, Alice Wegmann, Marco Pigossi e Irandhir Santos.

Nanego

José do Nascimento Lira Neto foi batizado no dia 29 de agosto de 1964. No meio artístico é conhecido por “Nanego Lira”. Ele faz parte de uma família de atores de Cajazeiras, interior da Paraíba, formada por Soia Lira (atriz), Buda Lira (ator e diretor de teatro), Paula Lira (atriz), Salvino Sousa (artista plástico e professor de artes) e Bertrand Lira (cineasta-documentarista e professor universitário).

Durante a juventude, Nanego criou, juntamente com seus irmãos, o grupo “Terra” de teatro. Em João Pessoa, o grupo se uniu ao ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos, em 1977, criou uma das experiências mais férteis no cenário paraibano: o Grupo Piollin.

O grupo ganhou expressividade nacional e internacional em 1992, com o espetáculo “Vau da Sarapalha”, adaptação da obra de Guimarães Rosa, sob direção de Luiz Carlos Vasconcelos, tendo Nanego Lira como ator. Essa peça permaneceu mais de uma década em cartaz, sendo exibida em todo o Brasil, bem como em eventos pela América Latina e além mar.

Expressando prodigiosamente seu amor e talento pelas artes cênicas, o ator participou da peça “Beiço de Estrada”, trabalhando ao lado de Marcélia Cartaxo e Ana D’Lira, atrizes que, como ele, vieram a conquistar espaços importantes em seriados de televisão, no teatro e no cinema nacional.

Através do Projeto Mamebão, a peça “Beiço de Estrada” ganhou projeção nacional e, em 1984, pelo reconhecimento obtido e potencial manifestado, o “Terra” se uniu ao Grupo Piollin de Teatro, sob a liderança do ator e diretor Luiz Carlos Vasconcelos.

O Grupo Piollin legou uma série de experiências positivas e bem sucedidas a seus membros, e foi especialmente próspero a Nanego Lira. O artista teve oportunidade de viver em um espaço de convivência laboratorial no campo da dramaturgia moderna, e imergindo em fluxo teatral produtivo e colaborativo.

O ator cajazeirense, tendo sempre à frente o experiente diretor Luis Carlos Vasconcelos, começou a atuar em grandes montagens, bem como em produções de curtas e no cinema documental paraibano e nordestino.

Filmografia

Reza a lenda (2016); Antoninha/curta (2014); Os Pobres Diabos (2013); Gonzaga, de Pai para Filho (2012); A Poeira dos Pequenos Segredos/curta (2012); Depois da Curva/curta (2009); O Grão (2007); Cinema, Aspirinas e Urubus (2005); Hoje é Dia de Maria/minissérie (2005); Central do Brasil (1998); Árvore da Miséria (1998).

Prêmios

Machado Bitencourt, como melhor ator no filme “Depois da Curva” (2011), Prêmio Especial concedido pelo júri do Festival de Cinema e Vídeos de Natal, 2009), por sua atuação no filme “O Grão”, e o Troféu Aruanda 2014 de Cinema.

Fonte: www.http://coisasdecajazeiras.com.br

domingo, 22 de abril de 2018

‘Balaio do Nordeste’ vai ao RJ para ‘lutar’ pelo forró

(Foto: Internet)

A luta pelo fortalecimento do forró continua. Desta vez, no Rio de Janeiro. O Sesc de lá realiza entre os dias 26 e 28 de abril o Fórum Forró de Raiz RJ, evento que reunirá personalidades, artistas, pesquisadores e profissionais reconhecidos nacionalmente pela sua atuação na cadeia produtiva do forró.

Um dos representantes da Paraíba será a Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste, que fará uma performance-manifesto ao lado de artistas como a também paraibana Sandra Belê. “Estamos na luta pela valorização do forró, que não vive um bom momento. Apesar disso, está sendo gratificando encontrar pessoas e instituições dispostas a lutar conosco”, afirma a produtora Joana Alves, da Associação Cultural Balaio Nordeste.

O show realizado no dia 28 na Feira de São Cristóvão, reduto da cultura nordestina no Rio, também contará com a presença de artistas como Anastácia Forrozeira, Cassiano Beija Flor, Cris da Maria Filó, Del Feliz de Salvador, Gilberto Teixeira, Igor Konde, Antônia Amorosa, Caceteiro do Forró, Sergival Silva e Oswaldinho, entre outros.

Outros fóruns regionais já foram e serão realizados pelo país por iniciativa do Fórum Nacional de Forró de Raiz. “Conseguimos o apoio da senadora Fátima Bezerra, do Rio Grande do Norte, que quer levar a discussão para o Senado. Também conversei com o ministro da Cultura na semana passada e já marcamos uma reunião em Brasília para conversar sobre o forró enquanto Patrimônio Imaterial Brasileiro”, completa Joana.

Patrimônio imaterial

Para ganhar o título, o forró precisa comprovar sua continuidade histórica e relevância nacional para a memória, identidade e formação da sociedade brasileira junto ao Iphan.


Fonte: www.correiodaparaiba.com.br

São João de CG terá eleição da Rainha da Diversidade

(Foto: Divulgação/Codecom-CG)

O Festival das Estrelas Juninas de 2018, além do Concurso de Noiva, Rainha e Casal Junino das quadrilhas, irá realizar o concurso para escolher a Rainha da Diversidade. Este ano o festival irá acontecer no dia 5 a 10 de julho, às 19h, na Pirâmide do Parque do Povo.

O Parque do Povo vai sediar o Concurso da Rainha da Diversidade, no dia 5 de junho; Rainha do Agreste, dias 7 e 8, já estão inscritas quadrilhas de 10 cidades; Rainha de Campina Grande, dias 9 e 10, com a participação de 11 agremiações juninas. Os cinco jurados convidados vão julgar simpatia, figurino, coreografia, entrada e saída.

O primeiro colocado no Concurso da Rainha da Diversidade vai representar Campina Grande no certame estadual que será realizado na cidade de Santa Rita.

De acordo com Lima Filho, presidente da Associação de Quadrilhas Juninas, cada quadrilha escolhe os seus representantes. Ele informou que em 2017 a Rainha nacional foi de Campina Grande.

Fonte: www.portalcorreio.com.br

Morre Nelson Pereira dos Santos, o mentor do Cinema Novo

(Foto: Reprodução)


Morreu neste sábado, aos 89 anos, Nelson Pereira dos Santos, um dos mais inovadores e importantes nomes do cinema brasileiro, precursor e mentor do Cinema Novo, movimento de renovação da arte cinematográfica no país, que ecoou também fora das fronteiras do Brasil. 

Nelson estava internado desde o dia 12 de abril no Hospital Samaritano no Rio de Janeiro com sintomas de pneumonia e um tumor no fígado. A causa confirmada da morte foi falência múltipla dos órgãos.

Para além do cinema, Pereira dos Santos atuou como jornalista e educador. Foi o fundador do primeiro curso de cinema no Brasil, na Universidade de Brasília, e, mais tarde, instaurou a especialidade na graduação da Universidade Federal Fluminense. Lecionou como professor convidado na Universidade da Califórnia, em Los Angeles (UCLA), e na Universidade de Columbia, em Nova York.

Em 2006, foi o primeiro cineasta a se tornar membro da Academia Brasileira de Letras. Pereira do Santos foi eleito para a cadeira de número 7, antes ocupada por Sergio Correia da Costa, e por nomes como Euclides da Cunha, Valentim Magalhães e, o patrono, Castro Alves.

Assim como seus antecessores na ABL, Pereira dos Santos é conhecido pela brasilidade de suas obras, que abordam questões culturais e sociais, entre paisagens variadas, expondo mazelas e alegrias da nação, da malandragem carioca e as delícias da bossa nova, até a seca do nordeste e a vida na favela. Ávido fã de literatura, o diretor bebeu de fontes consagradas, especialmente em nomes como Machado de Assis, Jorge Amado, Guimarães Rosa e Graciliano Ramos. O último, aliás, rendeu dois dos mais importantes títulos conduzidos pelo cineasta: Vidas Secas (1963) e Memórias do Cárcere (1984), ambos premiados no Festival de Cannes.

Cinema como vocação

Nelson Pereira dos Santos nasceu em 22 de outubro de 1928, em São Paulo, e dividiu sua infância entre os tradicionais bairros do Brás e da Bixiga. Passava as tardes da adolescência entre as partidas de futebol na rua e as salas de cinema, hábito incentivado pelo pai cinéfilo. Ao fim do colegial, ele conhece sua futura esposa, Laurita Andrade Sant’Anna, com quem ficaria casado por 50 anos e teria três filhos: Nelson, Ney e Márcia.

Assim como muitos dos colegas da época, se forma em direito, no Largo São Francisco. Contudo, a paixão pelo cinema já ditava seu futuro. A vocação o conduz a Paris, onde ele cursa o Instituto de Altos Estudos Cinematográficos (IDHEC), escola que recebeu outros famosos cineastas brasileiros, como Eduardo Coutinho e Ruy Guerra.

Na década de 1950, Pereira dos Santos se muda para o Rio de Janeiro, onde trabalha como jornalista e também como assistente de direção, produção e até como ator. Em 55, aos 27 anos, ele lança seu primeiro filme, Rio 40 Graus, sobre o cotidiano de pessoas variadas em um dia de verão na capital carioca. Um grupo de meninos negros, moradores do morro, vendem amendoim para turistas enquanto servem como fio condutor entre as histórias.

Inspirado no neorrealismo italiano, a obra de baixo orçamento lança mão de locações reais e atores não profissionais, caminha entre a favela no morro, passa por cartões postais da cidade enquanto mostra sutilezas da cultura brasileira, sem deixar de fora o futebol e o samba.

O estilo, até então inédito no país, que, na época, apostava nas chanchadas, serviria de inspiração para outros cineastas, que poucos anos depois fundariam o movimento chamado de Cinema Novo. “Tinha certeza de que estava assistindo a algo inaugural, a uma obra fundadora”, diz o diretor Cacá Diegues em sua biografia Vida de Cinema (Objetiva).

Rio 40 Graus refletia como poucos a ideia da nova fase de produções brasileiras, que acabou resumida na frase “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça”. Nelson Pereira ainda contribuiria para o empurrão do Cinema Novo ao produzir o drama paulistano Grande Momento, de Roberto Santos, lançado em 1958, outro importante título inaugural do movimento.

Eclético, o cineasta não estacionou no naturalismo e nem no eixo Rio-São Paulo. Sua obra permeou várias linguagens e lugares, em uma constante homenagem à variedade da cultura nacional.

Literatura e música

Nos anos 1960, já com um nome a zelar, o cineasta toma emprestado de Nelson Rodrigues e Graciliano Ramos a trama para os filmes Boca de Ouro (62) e Vidas Secas (63), respectivamente. Aliás, a primeira adaptação de Graciliano pelas mãos do cineasta foi indicada à Palma de Ouro no Festival de Cannes, em 1964, e ganhou o prêmio OCIC, voltado para produções com preceito humanitário.

“Na tentativa inicial de filmar uma obra de Graciliano, em 1959, eu fracassei. Fui filmar em Juazeiro da Bahia quando havia acabado de chover, houve uma enchente, a caatinga ficou verde”, conta, bem-humorado, Pereira dos Santos ao site de VEJA em conversa sobre sua paixão pela obra do escritor alagoano. “Inventei outro filme, na hora. E aí saiu Mandacaru, um verdadeiro fracasso”, diz sobre o romance em tom de faroeste Mandacaru Vermelho (1961), feito às pressas e com roteiro precário.

O universo de Graciliano continuou no radar do cineasta. Ele chega a filmar um curta-metragem, baseado no conto O Ladrão, do livro Insônia, e emplaca uma de suas principais obras: Memórias do Cárcere (1984). Baseado no livro autobiográfico de mesmo nome, lançado em 1953, o filme conquista o prêmio da crítica internacional do Festival de Cannes.

Assim como a literatura, a música popular também serve de inspiração para o diretor, que, em 1979, lança A Estrada da Vida, no qual o gênero sertanejo é usado como fundo para uma análise da construção da identidade do brasileiro. A trama acompanha a trajetória da dupla Milionário e José Rico, com os próprios cantores interpretando seus papéis.

Os dois últimos trabalhos do cineasta, aliás, são documentários focados na bossa nova, especialmente na figura de Tom Jobim. O primeiro, A Música Segundo Tom Jobim (2012), traz uma sequência de canções do compositor, entoadas por ele e por diversos intérpretes do mundo. Já A Luz do Tom (2013) se deleita em histórias intimas do músico, contadas por mulheres próximas a ele.

O Brasil em festivais

As nuances da cultura brasileira permearam toda a obra de Nelson Pereira dos Santos. Apesar de tratar temas locais, seus filmes foram bem recebidos fora do país. Além das produções já citadas, que saíram premiadas em Cannes, ele foi indicado duas outras vezes à Palma de Ouro, com os filmes Azyllo Muito Louco (1970), inspirado em O Alienista, de Machado de Assis, e O Amuleto de Ogum (1974), longa em clima musical, que vasculha a cultura da religião umbanda, quando um jovem procura proteção para ter o corpo fechado a pedido da mãe.

Já no Festival de Berlim, o diretor foi indicado ao Urso de Ouro quatro vezes. A primeira foi com Fome de Amor (1968), talvez o mais sensual trabalho de Santos, em que dois casais se envolvem em uma ilha secreta. Depois, foi a vez de Como Era Gostoso o Meu Francês (1971), longa inspirado em fatos, que mostra o poder dos Tupinambás nas negociações e embate com os colonizadores portugueses e franceses no Brasil. Em seguida, foi eleito pela competição Tenda dos Milagres (1977), adaptação da obra de mesmo nome do autor Jorge Amado, que enaltece a cultura negra popular baiana e a mestiçagem.

O último filme do cineasta a concorrer ao prêmio foi A Terceira Margem do Rio (1994), inspirado no conto homônimo do livro Primeiras Estórias de Guimarães Rosa, que conta a história de um homem que abandona a família para viver sozinho em um bote, no rio.

A boa presença em eventos cinematográficos mundiais rendeu a Pereira dos Santos uma cadeira no júri do Festival de Veneza de 1986 e em 1993.

Em 2006, quando é eleito para ocupar a cadeira 7 da ABL, o cineasta exalta os escritores que lhe serviram de inspiração, relembra sua trajetória, e faz uma breve menção ao Cinema Novo: “Participo, pois, há meio século, do processo de crescimento e afirmação do cinema brasileiro, apesar dos acidentes de percurso em suas relações imprescindíveis com o Estado. O que importa, porem, é que o cinema brasileiro atual demonstra vitalidade, potência criativa e pluralidade temática, tornando-se cada vez mais representativo da múltipla e rica cultura do país”, disse em parte de seu discurso de posse.

Fonte: www.clickpb.com.br